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Naquela casa de três moças, só um vestido era de festa. Só um vestido era bonito. O revezavam. E quando em festas o vestido chegava, o lugarejo se voltava para despi-lo. Quem o trazia no corpo, era sempre uma aposta.
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Os critérios desconhecidos davam sempre uma chance em três, de acerto.
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E as moças eram as mais bonitas da região. Tinham poucas por ali, é mesmo. Mas se tivessem muitas, seriam lindas, ainda, aquelas irmãs. Uma mais velha ano e meio que as outras, gêmeas.
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Elas cresciam e o vestido único permanecia. Tecido para outro não tinham.
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O vestido foi surrando como convém a tudo de muito uso. Mas, a graça lhe aumentava. Agora, moças mais crescidas, mostravam os joelhos e o vestido, além de mais curto, mais justo, acentuava os contornos que os corpos iam botando. Vestido velho ganhava beleza.
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Um dia uma gêmea casou com alguém que de passagem a viu, no vestido. Partiu. Não voltou mais.
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A mais velha também se foi, sem rumo, sem o vestido. Não voltou mais.
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E o vestido ficou. Mofou. E quem ficou não cabia mais no vestido. Mas também não sabia guardá-lo, o vestido de tanto usar. Solidão de moça e vestido. Roupa surrada virou estandarte da esquecida.
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Em dias de festa saíam os dois, ela sem roupa, ele sem corpo.
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