breve pausa da pausa
Algumas horas antes, um burburinho bom e agora, um caminho com lua. No som a mesma música de dois dias, Rue de mes Souvenirs. Na rua, eu, que não sou velha, que não sou jovem. E que, nesse lá pelo meio, ando mesmo muito pelo meio. Eu que sempre muito, penso que passo no vazio de uma maré vazante e que, talvez, tenha perdido as asas para andar perto de abismos – ‘e quem gosta de abismos necessita de asas’ – me fizeram o favor de lembrar. Mas disperso disso que o caminho é longo. Sigo me dividindo entre a lua embaçada, a pista do meio e a música de dois dias. Sigo me dividindo. Eu, dispersa como sou. Um azar. Ponho-me atenta a letra da música que desconheço o sentido. Suponho. Mas a melodia, o arranjo... Conheço o que me agrada. Amanhã busco a tradução e reparto. Esta, por certo, depois de tanto, tornar-se-á por força e merecimento um souvenir desses dias. Sei que dirijo e escrevo, já quase lá pelo meio do caminho. Meio que dirijo, meio que escrevo, meio que me sinto só, meio que fico na pista do meio, meio que vejo a lua meio embaçada... E dispersa como sou, não divido nada. É noite. E logo não será. Que também a noite vai pelo meio. Ela que é jovem, ela que é velha. E eu, sem escolha, disperso no meio da rua, souvernirs.
3 comentários:
Lindo texto.
Ass: Eu, meio velha, meio nova.
dizem (ouvi falar)
que o tal caminho
do meio é o equilíbrio
pode ser mas aqui
parece mais um labirinto
- eu pressinto.
bjs
PS: bom te ver
Nanda,
Este é um texto que devemos ler várias vezes, como fazemos com a própria vida. Afinal ela sempre nos pede novas leituras. Na primeira vez que li seu texto, me identifiquei com a lua, na outra, quis o souvenir e a sua rua, e assim vai. Tão bom novamente ler você e saber das suas andanças em si mesma!
Beijocas,
Sarah
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