Quarta-feira, Março 23, 2011

breve pausa da pausa


Algumas horas antes, um burburinho bom e agora, um caminho com lua. No som a mesma música de dois dias, Rue de mes Souvenirs. Na rua, eu, que não sou velha, que não sou jovem. E que, nesse lá pelo meio, ando mesmo muito pelo meio. Eu que sempre muito, penso que passo no vazio de uma maré vazante e que, talvez, tenha perdido as asas para andar perto de abismos –  ‘e quem gosta de abismos necessita de asas’ – me fizeram o favor de lembrar.  Mas disperso disso que o caminho é longo.  Sigo me dividindo entre a lua embaçada, a pista do meio e a música de dois dias. Sigo me dividindo. Eu, dispersa como sou. Um azar. Ponho-me atenta a letra da música que desconheço o sentido. Suponho.  Mas a melodia, o arranjo... Conheço o que me agrada. Amanhã busco a tradução e reparto. Esta, por certo, depois de tanto, tornar-se-á por força e merecimento um souvenir desses dias.  Sei que dirijo e escrevo, já quase lá pelo meio do caminho. Meio que dirijo, meio que escrevo, meio que me sinto só, meio que fico na pista do meio, meio que vejo a lua meio embaçada... E dispersa como sou, não divido nada. É noite. E logo não será. Que também a noite vai pelo meio. Ela que é jovem, ela que é velha. E eu, sem escolha, disperso no meio da rua, souvernirs.

3 comentários:

Martha disse...

Lindo texto.

Ass: Eu, meio velha, meio nova.

Cynthia Lopes disse...

dizem (ouvi falar)
que o tal caminho
do meio é o equilíbrio
pode ser mas aqui
parece mais um labirinto
- eu pressinto.

bjs

PS: bom te ver

Sarah disse...

Nanda,

Este é um texto que devemos ler várias vezes, como fazemos com a própria vida. Afinal ela sempre nos pede novas leituras. Na primeira vez que li seu texto, me identifiquei com a lua, na outra, quis o souvenir e a sua rua, e assim vai. Tão bom novamente ler você e saber das suas andanças em si mesma!

Beijocas,
Sarah